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05 agosto 2009

Medo II

Medo I

Tenho um medo imenso dessa pena absurda que sinto de mim mesmo. Dessa conformidade que me dá a mão quando saio de casa e me acompanha até a hora da volta. Desse esquecimento de tudo o que fere e rasga a superfície silenciosa da minha apatia. Dessa estátua de sal que vai se formando aos poucos, muito lentamente, mas é contínua e forte - cirstalização dos dias.
Acima de tudo, tenho medo de acordar amanhã e perceber que é esta a estação da colheita que falavam tanto quando plantaram minha muda no solo (in)fértil das possibilidades.

Para você... e só.

Para você, e só, existe sempre um ramo de flores sobre o criado mudo, sobre o livro com página marcada e ao lado dos óculos dobrados que refletem a luz do abajour sobre os lençóis amarrotados da noite dormida. Para você, um sorriso guardado, entre o descrente e o incontido, entre a realidade e o sonho como um marcador de horas e ânimos, vida que se refaz viva-morta-viva e um dia descansa. Porque teu amor me chegou, e continua chegando, naquela hora exata em que de mim já partiram as crenças em formas de velas gastas, vazias de tudo o que não era vento, quando as linhas estavam deslidas e os versos rimados ao avesso. Teu amor chegou, e continua chegando, pra encontrar pétalas quase-murchas, quase-mortas, chovidas sobre o livro branco quase-apagado de emoções.

Te espero.