A Hungria anda isolada. Com medo e isolada. Após um breve período de auto-confiança em sua própria política e economia, quando pensou que seria para sempre uma nação cada vez mais próspera e independente, a velha e boa Hungria encontra-se novamente isolada e com medo.
Ela, que nunca sonhou ser um império... que já foi território francês, na época do pomposo Luís XIV, com seus rococós e saltos-finos, cobrindo-se de barrocagens e maneirismos... que já foi território da Germânia do magnífico Carlos Magno, humilde e subserviente, mas encantada e deslumbrada pela luz do poderoso monarca ... que chegou até a brincar de reino-duplo com a Romênia, aquela que a seus olhos parecia tão rica com seus não-me-toque de cigana, mas sempre foi e sempre será pobre como um país perdido no coração da áfrica.
A Hungria, que nunca sonhou ser império, encontra-se acuada, amedrontada e cheia de tendências ao isolacionismo.
São os novos tempos.
Uma economia em colapso após um governo que só contruia castelos e matava o povo de fome. Castelos de barro, desses que vão embora no primeiro inverno, no segundo mês de cada ano, levando as pratarias da rainha.
Uma das famílias mais nobres na corte de sua atual dinastia morreu subitamente, deixando tristes os cidadãos.
E, assim como Roma, de todos os lados os bárbaros acossam suas fronteiras, dormem com as pobres camponesas em seus campos, se entranham imperceptivelmente em seu seio. Embaixadores de países burgúndios chegaram a criar intrigas na própria sala real de Estêvão III. Um absurdo! Quase derrubam o único palácio de pedra de Budapeste com o poder chicoteador de suas línguas ferinas.
Pobre Hungria.
Onde estão seus aliados? A opulenta e soberana Rússia? O Vaticano, com sua dominação religiosa, o poder da cruz sobre a moeda? A Prússia e seu exército afiado em lanças? Onde estão?
Ocupados. A Hungria sabe. Seus próprios territórios precisam de cuidados. Questões internas, alianças novas, fortalecimento de bases, construções faraônicas em seus potentados...
Levanta, Hungria!
Não vês que enfraquecimento interno é sinal de política interna fraca? Revisa este governo. Que cortem os gastos. Que cortem os corruptos. Que cortem a cabeça das damas deslumbradas de sua corte.
Viva! Revigora estes pastos. Onde estão as frutas de teus bosques? Onde está o badalado vinho Tokkaj, que só você produz? Destrói estes jardins ornamentais de quilômetros e dá o terreno aos que precisam de terra pra plantar.
Deixa o suficiente pra que não te tornes feia, mas dispensa o que puder pra que não te tornes vazia.
Hungria,
Quero te ver rica. Quero te ver linda. Quero te ver minha.
(Não entendeu? Não precisa. A política, assim como as emoções, acredito, dificilmente são compreendidas.)
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